FBI diz que ajudará outras polícias dos EUA a desbloquear iPhones

O FBI enviou uma carta para autoridades policiais estaduais e locais dos Estados Unidos afirmando que pretende oferecer ajuda para desbloquear iPhones e extrair dados criptografados. O FBI, que é um órgão federal, obteve um método para desbloquear iPhones protegidos e, até o momento, o método utilizado não foi divulgado.

A carta do FBI foi divulgada pelo site BuzzFeed na sexta-feira (1º).

O texto menciona a tendência que as autoridades policiais chamam de “going dark” – a incapacidade de obter dados de dispositivos apreendidos e grampos autorizados por causa da criptografia – e o FBI diz que “está junto” das autoridades locais e estaduais nessa briga.

A carta, porém, é bem modesta ao comentar o iPhone desbloqueado do terrorista Syed Farook, afirmando que o método teve sucesso “neste caso específico”. A carta não diz em quais outros métodos a técnica pode funcionar e como o FBI pretende compartilhar a informação com outras polícias.

“Como tem sido nossa política de longa data, o FBI com certeza considerará qualquer ferramenta que possa ser útil aos nossos parceiros. Saiba que vamos continuar a fazer tudo o que pudermos para ajudar conforme nossas restrições legais e de políticas. Você tem nosso compromisso de que manteremos um diálogo aberto com você”, diz a carta.

O site “BuzzFeed” observa que as “restrições legais e de políticas” que a carta menciona podem ser uma referência ao risco de o método ser exposto caso ele venha a ser empregado em certos casos penais. O FBI parece ter a intenção de manter a técnica sob sigilo. A Apple, no entanto, quer saber como o desbloqueio ocorreu para, possivelmente, aumentar a segurança do iPhone — o que faria o FBI voltar à “estaca zero”.

Tribunal autoriza uso de digitais
Em outro caso envolvendo um iPhone, o departamento policial de Los Angeles (LAPD) obteve autorização na Justiça para desbloquear um aparelho usando a digital do acusado. Os documentos foram publicados pelo site da revista “Forbes” na quinta-feira (31).

A decisão é discutível com base na Constituição norte-americana que, como a brasileira, desobriga o réu de produzir prova contra si mesmo. No entanto, alguns juristas entendem que uma ação “física” – como fornecer a digital ou uma amostra de sangue – não estaria protegida; apenas “esforços mentais” não podem ser obrigatórios.

iPhone exige a senha depois de um período de 48 horas ou caso o aparelho seja desligado, o que torna a digital inútil em muitos casos. Em ações rápidas, porém, o uso de digitais pode ser mais um meio utilizado pela polícia para desbloquear aparelhos e extrair as informações protegidas.

 

FONTE: GLOBO.COM

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